Como lidar com idosos que rejeitam bengala, aparelho auditivo ou adaptações
Muitos idosos recusam bengala, aparelho auditivo ou adaptações domiciliares por razões variadas. Há grande necessidade não satisfeita de tecnologia assistiva no mundo, mas barreiras como sensação de não precisar, custo, desconforto e estigma reduzem o uso. Este guia curto orienta familiares e cuidadores sobre causas, riscos e ações práticas para abordar a recusa (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022; ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013).
Quando a ajuda é recusada, famílias ficam entre respeitar autonomia e proteger segurança. A perda auditiva, por exemplo, aumenta com a idade e está associada a isolamento e impacto cognitivo. Entender motivos e usar comunicação centrada facilita soluções práticas sem impor medidas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026; FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.).
Aparelhos auditivos e implantes fazem parte da reabilitação para perda auditiva, que aumenta com a idade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
Revisões apontam motivos frequentes para não usar aparelhos: sensação de não necessidade, desconforto, custo e estigma (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013).
1. Entendendo a recusa
A recusa tem causas múltiplas: psicológicas (negação, mudança de identidade), sociais (estigma), técnicas (ajuste, conforto) e financeiras (custo, cobertura limitada). Compreender a razão específica orienta intervenção (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
Psicológico: muitos negam a perda ou temem perder a identidade associada à independência; pressionar pode aumentar resistência (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
Social e financeiro: estigma e custo aparecem com frequência; opções de venda direta (OTC) existem para perdas leves a moderadas e podem reduzir barreiras de custo e acesso (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Técnico: ajuste inadequado, desconforto e baixa qualidade sonora reduzem aceitação; acompanhamento e ajustes melhoram uso (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Comece identificando qual barreira existe: pergunte, escute e anote preocupações. Isso ajuda a escolher ação prática (ajuste, teste, alternativa OTC, suporte financeiro ou trabalho sobre o estigma) (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Como respeitar a autonomia sem ignorar riscos evitáveis?
Use perguntas abertas e ofereça um período de experiência antes de decidir.
- Pergunte por que recusa e escute sem julgar.
- Verifique conforto, ajuste e percepção de benefício.
- Considere teste por tempo limitado.
- Explore opções OTC se perda for leve a moderada.
- Avalie suporte financeiro e programas locais.
2. Consequências para saúde e autonomia
Negar dispositivos assistivos pode aumentar risco de quedas, reduzir participação social e agravar impacto cognitivo. A perda auditiva não tratada relaciona‑se a isolamento e maior risco de demência; adaptações e dispositivos promovem independência (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Quedas: avaliação multifatorial e medidas ambientais são recomendadas para reduzir quedas; dispositivos de marcha devem ser indicados e o uso treinado (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).
Isolamento e cognição: perda auditiva associada a menor participação social e impacto cognitivo, fatores que justificam reabilitação auditiva (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
Benefício e investimento: tecnologia assistiva pode aumentar independência e tem retorno sobre investimento, por isso vale considerar intervenções (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Ao avaliar recusa, pese consequência de não usar dispositivo: risco de quedas, isolamento e declínio cognitivo. Discuta com profissionais de saúde e priorize medidas que reduzam risco (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
Que preço tem a escolha por não usar um auxílio?
Monitore mobilidade, sono, humor e comunicação; registre mudanças para a avaliação clínica.
- Avaliar risco de queda
- Agendar avaliação audiológica
- Rever medicação com médico
- Instalar adaptações domiciliares básicas (barras, iluminação)
3. Como conversar: abordagem centrada e prática
Comunicação centrada: escuta ativa, validação e participação do idoso nas decisões aumentam chance de aceitação. A abordagem centrada no usuário é essencial para adoção de tecnologia assistiva (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Escuta ativa: permita que o idoso expresse medos e preferências; repita com suas palavras para demonstrar compreensão (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.).
Evite confronto; proponha opções e testes graduais, deixando claro que a decisão final é dele (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Se houver suspeita de perda auditiva significativa ou risco à segurança, encaminhe para avaliação audiológica ou equipe multiprofissional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Trabalhe com pequenas metas: ouvir sem julgamento, tentar o dispositivo em casa e revisar ajuste após alguns dias. Se persistir recusa, procurar um profissional pode identificar problemas clínicos ou técnicos (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Como ouvir de verdade?
Combine uma pequena experiência prática e uma revisão de ajuste com o profissional.
- Use escuta ativa
- Valide sentimentos
- Ofereça teste domiciliar
- Encaminhe para avaliação se necessário
4. Intervenções e ajustes para aumentar a aceitação
Intervenções eficazes incluem ajustes de conforto, teste por tempo limitado, acompanhamento e opções OTC quando adequadas; combater estigma e aumentar informação também ajuda (ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Ajuste presencial do aparelho, moldes ou configuração sonora reduz desconforto e aumenta percepção de benefício; agende revisão técnica (NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013).
Aparelhos OTC são opção para perda leve a moderada, mas não substituem avaliação quando houver dúvidas; informe‑se sobre limites e benefícios (NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Ações de informação e integração da tecnologia assistiva em políticas públicas ajudam a reduzir estigma e melhorar acesso (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Proponha acompanhamento técnico e prazos de uso com revisões; se o desconforto persistir, avalie alternativas ou reabilitação (NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM, 2013).
Que pequena mudança pode aumentar o uso?
Marque ajustes técnicos e combine revisões em prazos curtos.
- Agendar ajuste com técnico
- Testar uso gradual
- Verificar opções OTC quando indicado
- Buscar informações públicas e apoio
5. Adaptações do lar e treino de uso seguro
Adaptações como barras de apoio, boa iluminação e remoção de obstáculos, junto com treino de marcha e ajuste de bengala, reduzem quedas quando indicadas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.).
Avaliação multifatorial: incluir revisão de medicamentos, avaliação funcional e ambiente para identificar riscos e intervenções priorizadas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).
Bengala: prescrever e treinar o uso são recomendados; ajuste e orientação reduzem insegurança ao caminhar (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).
Abordagem centrada no usuário ajuda a escolher adaptações que respeitam preferências e promovem autonomia (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Peça avaliação e treino com profissionais; mudanças simples no lar podem diminuir quedas e tornar a marcha mais segura (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).
A casa favorece a caminhada segura?
Priorize intervenção que o idoso aceite e combine treino com adaptação ambiental.
- Instalar barras de apoio
- Melhorar iluminação
- Remover tapetes soltos e obstáculos
- Treinar marcha e uso da bengala com profissional
6. Encaminhamentos e recursos
Procure avaliação audiológica, equipe multiprofissional e serviços públicos; protocolos de prevenção de quedas do SUS indicam avaliação multifatorial e ações integradas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Avaliação audiológica identifica necessidade e orienta intervenção com aparelhos, implantes ou outras medidas (NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
SUS e serviços locais: protocolos de prevenção de quedas recomendam avaliação e intervenções integradas; peça encaminhamento na unidade básica de saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).
Recursos e apoio: WHO recomenda integrar tecnologia assistiva em políticas, ampliar conscientização e reduzir estigma para melhorar acesso (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Ação prática: agende avaliação, peça informação sobre programas de financiamento e documente sintomas para facilitar encaminhamentos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.).
Qual serviço local pode iniciar o suporte hoje?
Comece pela unidade básica e leve lista de queixas e exemplos de situações.
- Levar registros de quedas e dificuldade auditiva
- Solicitar encaminhamento para audiologia
- Perguntar por programas de tecnologia assistiva no SUS
- Verificar disponibilidade de ajuste e revisão técnica
Conclusão
Respeitar a autonomia é essencial, mas recusa não impede buscar soluções que respeitem preferências. Ouvir com empatia, oferecer períodos de experiência, ajustar dispositivos e adaptar o lar são passos que equilibram segurança e independência (FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ), s.d.; NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD), s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Quando há risco de queda ou perda auditiva com impacto funcional, procure avaliação multiprofissional e recursos locais; a tecnologia assistiva traz benefícios reais quando adotada com suporte (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).
Referências
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global report on assistive technology. 2022. Acesso em: 15 de set. de 2026.
- ABBY MCCORMACK; HEATHER FORTNUM. Why do people fitted with hearing aids not wear them?. 2013. Acesso em: 15 de set. de 2026.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Deafness and hearing loss. 2026. Acesso em: 15 de set. de 2026.
- FIOCRUZ (CAMPUS VIRTUAL FIOCRUZ). TECNOLOGIA ASSISTIVA Parte 1 (apostila). s.d.. Acesso em: 15 de set. de 2026.
- NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD). Hearing Aids — Styles/Types & How They Work. s.d.. Acesso em: 15 de set. de 2026.
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Prevenção de Quedas. 2026. Acesso em: 15 de set. de 2026.